Arquivo da categoria: Indústria e Mercado

Entrevista: André Cariús – Donsoft Entertainment

A reportagem de capa da revista Indie Gamer tinha o manjado título de “O Brasil dos Games”. O objetivo era entrevistar responsáveis por desenvolvedoras nacionais, discutir seus projetos e saber o que eles pensam sobre o mercado daqui. Acho que consegui o que queria. Se não, cheguei perto. Foram três entrevistas: Renato Pelizzari, da Tendi; José Lúcio, presidente da Icon Games; e André Cariús, presidente da Donsoft. Esta última, coloco logo menos abaixo.

A Donsoft Entertainment é uma empresa especializada em jogos que tem como foco a cultura e o folclore brasileiros. André Cariús fundou a empresa em 2001, no Rio de Janeiro, e desde 2003  investe no tema capoeira. Desenvolve o jogo Capoeira Legends: Path of Freedom, que é divido em três capítulos – o primeiro já lançado no início do ano.

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Força Casual

Vice-presidente de comunicações da PopCap Games fala sobre o crescimento dos jogos casuais

Garth Chouteau

Nos dias atuais, a produção de um jogo para um console de última geração atinge valores exorbitantes. Não é difícil encontrar aqueles que demandam um investimento de dezenas de milhões de dólares por parte de suas produtoras. Como exemplo temos o recente Gran Turismo 5 que, segundo o próprio criador, Kazunori Yamauchi, teve um custo de produção de U$60 milhões.

Indo de encontro a isso, os jogos casuais costumam ter um custo de produção bem mais baixo e, sendo esse o tipo de jogo que mais rápido cresce nos últimos anos (cerca de 20% ao ano, segundo a Casual Games Association, organização internacional dedicada a promover os jogos casuais), acabam dando um retorno considerável para os desenvolvedores.

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Entrevista com José Lucio “SLotman” – ICON Games

Dando aqui o pontapé inicial para essa nova fase do blog, trago um dos projetos que eu vinha guardando já há algum tempo, uma série de entrevistas com desenvolvedoras nacionais.

De início uma entrevista com José Lucio “SLotman”, responsável pela desenvolvedora ICON Games, do Rio de Janeiro, que está no mercado desde 2003 e tem seu trabalho focado em games casuais. No seu currículo estão o premiadíssimo Bola de Gude, Penguin Racer, Match 3D e Fuzzle.

A empresa também tem planos de expansão e alguns projetos em andamento. Confira logo abaixo a entrevista onde SLotman fala sobre esses futuros projetos e ainda comenta sobre o atual estado do mercado de games no país.

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FS: A ICON Games existe desde 2003 e tem foco em games casuais. Conte um pouco da história da empresa. Como ela se formou?

JL: A ICON Games, como diz no site, foi criada em 2003. Eu tinha terminado o
curso de “Desenvolvimento e Design de Jogos 3D” na PUC-RJ, e estava com a versão demo do Penguin Racer pronta, com a possibilidade de financiar o mesmo para ter sua versão completa. Era a hora certa. Infelizmente o financiamento não aconteceu, mas eu persisti e a ICON Games está cada vez mais forte.

FS: De lá até aqui quantos jogos foram produzidos pela empresa? Quais?

JL: Foram vários jogos: Penguin Racer (inacabado), Bola de Gude, Fruzzle e Match3D para PC “desktop”. Em flash, agora temos 2 jogos: Flower Power e Halloween Holiday. Vários para MSX (sim, eu crio jogos para um computador criado nos anos 80!), que geralmente são vendidos pelo site, ou em encontro de entusiastas.

Também foram produzidos alguns protótipos, para celulares (tanto em Brew, quando em J2ME), Mega Drive, Gameboy Advance e até para DVD… daí pode-se notar a versatilidade que temos para fazer jogos em qualquer plataforma.

FS: Segundo o site oficial, o projeto atual se chama Snail Racers. Explique em que consiste este jogo e a quantas anda o seu desenvolvimento. Existe alguma data de lançamento prevista?

JL: O Snail Racers é um jogo de corrida… de lesmas!
O jogo segue o estilo “Mario Kart”, de corrida com power-ups, mas com uma diferença: os power-ups podem ser desabilitados, tornando o jogo uma “corrida normal” para quem não curte o uso de poderes. O jogo também possui multiplayer local (a tela se divide horizontalmente em 2), suporte para joysticks de XBOX360 (inclusive com vibração) entre outras coisas.

A previsão de lançamento do jogo era para o início deste ano, porém, um outro projeto (ainda secreto, mas sendo desenvolvido) que contará com financiamento e será o primeiro jogo desenvolvido com várias pessoas, “passou a frente” do Snail Racers, que está “em espera” por enquanto. Mas pretendo retomar ele e lançá-lo ainda este ano.

FS: Os jogos Bola de Gude e Penguin Racer foram vencedores de alguns prêmios em festivais de jogos independentes. Quanto essas premiações influenciam nos seus trabalhos?

JL: Não só esses dois: o Snail Racers também foi premiado na SBGames 2008, em Minas Gerais, com o primeiro lugar!

Essas premiações são muito úteis: servem como oportunidade de teste do jogo, de ver a reação das pessoas ao mesmo (é comum inclusive nesses eventos as pessoas lhe procurar para dar sugestões ou apenas para dar os parabéns), e ainda serve como motivação para concluir os projetos!

FS: Quantas pessoas trabalham na ICON Games?

JL: A ICON Games, por enquanto é uma produtora de um homem só: eu mesmo desenvolvi tudo nos jogos que se encontram no site!

Mas como comentei antes, isso vai mudar esse ano, e outras pessoas
ajudarão no desenvolvimento do próximo projeto.

FS: Além de Snail Racers há algum outro projeto em mente?

JL: Sim, mas tudo que posso dizer agora é que se trata de um jogo educacional. Mas não se trata de algo chato, muito pelo contrário… ele possui uma mecânica familiar a muita gente, e muitos devem curtir ele… e a parte “educacional”, vem por osmose.

FS: O que você acha do mercano nacional de games atualmente? Algumas empresas grandes como a Ubisoft começaram a chegar ao Brasil. Existe um bom espaço para as empresas independentes?

JL: Honestamente? Não existe mercado nacional. Foi duro chegar a essa
conclusão, mas é a realidade. A grande maioria dos jogadores brasileiros só quer saber de jogos piratas, sejam eles baixados gratuitamente pela internet, ou comprados no camelô na esquina.

Existem aqueles que compram os jogos originais, mas infelizmente são tão poucos que não sustentam o mercado interno. Claro, existe o filão dos jogos empresariais (para treinamento de funcionários), jogos sob
encomendas para campanhas, para celulares (embora esse mercado tenha decaído nos últimos anos)… mas o mercado de jogos para
computador/video-game, é dominado pela pirataria.

O próprio mercado nacional, não ajuda. Eu tentei contato com diversas
dessas revistas “com CD” para publicar o Bola de Gude, e ter o mesmo a venda em bancas de jornal… mas não obtive resposta alguma, de nenhuma das publicações contactada. O mesmo ocorreu com alguns “publishers” nacionais.
Quanto aos publishers internacionais, sempre fui bem atendido, mesmo
quando os mesmos não se interessavam em meus jogos; um tratamento bem mais profissional e diferente do que é dado aqui no Brasil aos desenvolvedores.

Até mesmo o governo – aparentemente – chegou a mesma conclusão, tanto que o próximo JogosBR (agora BRGames, um concurso para financiar demo de jogos) é totalmente voltado para produzir um demo, e vender o mesmo a uma produtora estrangeira.

Posso afirmar que com certeza, 90% das vendas da ICON Games, foram feitas no exterior – os outros 10% sendo compras feitas esporadicamente por brasileiros.

É uma pena. Acho que junto com o BRGames, o governo poderia tomar alguma iniciativa para estimular o mercado nacional. Um simples “evento” onde as produtoras nacionais pudessem mostrar (e vender!) seus jogos ao público em geral, já seria um grande avanço.

A grande maioria dos brasileiros sequer sabe que existem jogos feitos aqui no país. Muitas vezes até já jogaram algo feito aqui, exportado para ser vendido em algum país, e que foi importado para o Brasil, sem saber.

Eu pelo menos, faço questão de ter meus jogos tanto em português quanto em inglês, então mesmo que se compre a versão “estrangeira” dos jogos, ele vai aparecer em português no seu computador.

FS: Hoje existem muitas pessoas que sonham em um dia se tornar desenvolvedores de jogos. O que você pode dizer a eles? Indicação de algum curso em específico?

JL: Eu já fazia alguns jogos simples antes de fazer qualquer curso, o que me preparou bastante, quando fiz o curso na PUC-RJ. Esse curso, que possuia um corpo docente fantástico, realmente “me abriu os olhos” para meu potencial, e com ele eu deslanchei para fazer jogos mais profissionais. Infelizmente esse curso não mais existe.

Que eu saiba, aqui no Rio de Janeiro, existem alguns cursos na UFF, e na própria PUC-RJ existem alguns cursos de modelagem 3D e disciplinas
eletivas que envolvem jogos.

Para quem não tem condição de enfrentar curso de faculdade, há sempre a internet… mas para conseguir boas informações, saber inglês é fundamental. Existem bons sites em português, mas as novidades, sempre aparecem primeiro em inglês, por ser a lingua “universal” da internet.

Mas mesmo quem não tiver acesso a internet, não há limites. Fazer jogos é uma questão de prática, é fazendo que se aprende. Então o ideal é pegar uma linguagem (seja qual for), um engine 2D ou 3D(se necessário), e começar a fazer um jogo, por mais simples que seja. Comece fazendo pongs, pac-man, tetris… e a medida que ganhar experiência, vá fazendo jogos mais complexos; é o caminho das pedras de todos. Paciência e persistência levam longe.

FS: Para terminar, onde as pessoas interessadas podem conseguir os jogos produzidos pela ICON Games?

JL: Todos nossos jogos podem ser vistos em http://www.icongames.com.br, e podem ser adquiridos em http://loja.icongames.com.br (inclusive os jogos para MSX!)

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Há quase sempre alguns contratempos na hora de fazer as entrevistas, então não estranhem se a próxima demorar a aparecer por aqui. Mesmo assim espero que seja logo.

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