Análise: Machinarium – PC

Responda rápido: há quanto tempo você não joga um bom adventure de apontar-e-clicar? O gênero, que teve seu auge nas décadas de 1980 e 1990 com jogos como Monkey Island, enfraqueceu muito nos últimos anos. Muita gente chegou a dizer, inclusive, que era um estilo morto. Machinarium apareceu para provar exatamente o contrário. Lançado em outubro pela desenvolvedora Amanita Design, da República Tcheca, o jogo mostra que ainda é possível ser original em um adventure, além de dar um novo gás ao gênero.

O protagonista é um robô lixeira, que, num mundo caótico, foi parar em um ferro-velho fora de sua cidade, onde uma gangue de robôs mal intensionados, chamada Black Cap Brotherhood, espalha o medo. Ele precisa voltar para reencontrar sua namorada e está decidido a impedir a gangue de causar mais estragos.

As peculiaridades deste protagonista, aliás, dão o toque especial e te ajudam a entender toda a trama, que não tem sequer uma palavra dita ou escrita. Um robô que expressa muito bem seus sentimentos através do pensamento e expressões “corporais”. Ao visualizar um novo cenário, ele logo imagina uma solução para um possível quebra-cabeças, fique parado e ele pensará na namorada. Isso é tudo o que você terá para guiar-se na história, e é mais que o suficiente.

O robô protagonista de Machinarium vaga pelas cidades procurando informações e desvendando quebra-cabeças para encontrar sua namorada

Todo o jogo é desenhado à mão e a profundidade de cada cenário impressiona. Tudo se mexe, apesar de serem poucos os itens com os quais o personagem pode interagir. Samorost 1 e 2, adventures com temática espacial também desenvolvidos pela Amanita Design, já mostravam uma arte indiscutivelmente bela, mas em Machinarium a empresa conseguiu se superar. O jogo é tão bonito que poderia ser considerado uma obra de arte interativa.

O personagem só consegue interagir com o que está perto dele, o que vai fazer com que você fique andando de um lado para o outro do cenário, mas isso não chega a ser um ponto negativo, que, na verdade, são bem escassos no jogo. Por vezes será um tanto trabalhoso fazer o pequeno robô obedecer os seus comandos, mas nada que chegue a incomodar.

Se você acabar preso em algum quebra-cabeça, há um modo de ajuda no qual você joga um pequeno minigame com uma chave e, quando chega até a fechadura, abre um livro que te mostra a forma certa de resolvê-lo. Isso evitará que você perca muito tempo em uma mesma parte do jogo, mas os mais ansiosos correm o risco de abusar demais desse recurso.

Vídeos do VodPod não estão mais disponíveis.

A harmonia está presente em tudo em Machinarium, o que forma um clima perfeito, e não poderia ser diferente com a trilha sonora, que conta com batidas eletrônicas que casam perfeitamente com cada ambiente.

Machinarium é um jogo inteligentíssimo, que algumas vezes desafiará sua capacidade de raciocíneo. Pode também servir de exemplo para os novos jogadores, que não viveram a época de ouro dos adventures da Lucas Arts, mostrando como é um bom jogo do gênero, afinal, Machinarium tem tudo o que um bom adventure precisa ter. As cerca de seis horas que você gastará ajudando o robozinho em sua aventura serão muito bem investidas e farão você esperar ansiosamente pelo próximo jogo da empresa.

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Texto originalmente publicado na revista Indie Gamer, de fevereiro de 2010. Leia aqui.
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Um pensamento sobre “Análise: Machinarium – PC

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