Análise: Dragon Quest IV: Chapters of Chosen (NDS)

Dragon Quest foi um dos primeiros RPGs a pintar nos consoles, se não o primeiro. Sua fórmula fez muito sucesso, principalmente no Japão. Em 1990, Dragon Quest IV iniciou uma nova trilogia na série. O remake do jogo, aqui analisado, foi lançado em 2008 nos EUA, para Nintendo DS, introduzindo as aventuras de duas décadas ao mundo “biecrã”.

Não vou falar dos aspectos técnicos do jogo. Em suas primeiras versões, lançadas para NES, as mudanças técnicas nunca foram gritantes, assim como nas mais recentes, lançadas para DS, nas quais, se você já jogou as versões de PS1, não verá nada muito novo. Quero comentar o que fez com que Dragon Quest IV desse um novo atrativo à série e expusesse uma nova forma de jogar RPG: a história.

Aqui ela é contada em capítulos. Há uma espécie de prólogo, onde você nomeia um personagem e presencia o começo de um acontecimento chave. A partir daí o jogador começa a entrar na pele de diversos protagonistas diferentes. Você será um guerreiro, uma princesa, um vendedor, uma dançarina e um mago, só para citar alguns. Cada um ou cada pequeno grupo com um capítulo separado para contar sua história particular.

O personagem que foi criado no início só reaparece no quinto capítulo (e não encare isso como um spoiler), mas garanto que você não sentirá nenhuma falta dele até lá. Yuji Horii conseguiu fazer com que cada personagem tenha uma personalidade forte. Torneko, o mercador, por muitas vezes não obedece suas ordens e faz ataques ou se defende por conta própria, por exemplo.

Cada um dos personagens tem o seu próprio interesse. Enquanto Alena, a princesa, quer sair do castelo onde vive para se tornar uma guerreira, Borya, o mago, só entrou nessa porque quer protegê-la onde for. Ainda assim, todos acabam lutando juntos por uma única causa.

Além disso, há uma grande diversidade de “sotaques” diferentes nos vilarejos do mundo de DQIV. Um NPC, em Laissez Fayre diz: “Now zat comédien, Tom Foolery, ‘as finished performing ‘ere, ze dancing girls are back. I ‘ope one comes by soon. Oh, mon Dieu! Zat ‘let’s give it to zem’ look on zeir faces before ze show… It is more zan a man can bear!“. Algumas vezes, isso torna os diálogos um tanto difíceis de serem entendidos, principalmente para os que não tem tanta facilidade com a língua inglesa, mas dá características únicas à cada lugar que é visitado.

Abrindo um parênteses, é fácil notar que Horii sempre tenta inserir um pouco do “mundo real” em seus jogos. Laissez-faire é uma expressão que surgiu no século XVIII, na França, que refere-se, basicamente, a uma economia que defendia um mercado internacional mais livre e, literalmente, significa “deixar fazer”.

Enfim, a forma magnífica como a história é montada e apresentada ao jogador é o que faz de Dragon Quest IV um jogo excepcional. Nos anos seguintes, muitos outros jogos seguiram o exemplo de DQIV. E seguem até hoje. O que mostra que mesmo com já 20 anos de idade essa história preserva seu cheirinho de nova e certamente agradará a qualquer um que jogar.

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2 pensamentos sobre “Análise: Dragon Quest IV: Chapters of Chosen (NDS)

  1. daniel disse:

    Hm, estou jogando o “remake” do FFVI pro GBA e isso é um dos pontos fortes do jogo, a hitória e a forma como ela é contada. Recentemente parece que resolveram deixar esse aspecto dos RPGs de lado e focarem mais nos avanços tecnológicos do que no seu roteiro, que sinceramente, é 50% ou mais de um RPG.
    Claro, adoro ver gráficos bonitos, cutscenes bem feitas e de tirarem o fôlego, mas sem um propósito para elas acontecerem, elas são só isso, uma cena bacana. =P

  2. […] This post was mentioned on Twitter by First Stage. First Stage said: http://is.gd/bnyGy – Análise – Dragon Quest IV: Chapters of Chosen (DS) […]

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