Você, fã de games que é, acompanhou cada minuto da E3 2011 pelos streamings amigos da vida, na semana passada. Viu jogos impressionantes que já esperava e outros que te surpreenderam. Viu executivos falando sobre como seus produtos são maravilhosos e duvidou da maioria. Entrou no Game Trailers e passou horas vendo os vídeos que saíam a cada minuto ou aquelas partes que travaram na conferência (dica: não use Speedy). Você acompanhou a E3 como se deve, portanto.
Minhas expectativas foram superadas, devo dizer. Mas também digo que não esperava muito, como você pode perceber ao ler o último post deste blog. Comecei querendo ver nem meia dúzia de jogos e finalizei querendo gastar salário de três meses inteiros. Ainda bem que sou controlado. Após o salto dimensional, falo do que mais gostei. Já adianto que sou fã da Nintendo.
Recanto do guerreiro: tiro, gostosa e pancadaria; só faltou a breja
Os planos que tinha de vender meu Xbox 360 estão ameaçados. A ideia, que já perdura há meses, é de mudar para o console da Sony, devido às facilidades com a rede online gratuita e algumas outras coisas, mas a E3 me deu motivos para pensar melhor sobre manter o console das luzes verdes aqui no quarto.
Na conferência, o Kinect foi o centro das atenções. A Microsoft quer mostrar que o acessório não transforma o console em apenas um Wii HD e, sim, que muda completamente a experiência de jogo. A interação com voz, mostrada na apresentação de Mass Effect 3, impressionou bastante os presentes. O rapaz falava e a mágica da tecnologia acontecia na tela.
O grande problema é que, obviamente, tudo acontece em inglês e eu não sei se, quando o jogo chegar ao Brasil, terá suporte à nossa língua, para facilitar a vida da grande maioria dos jogadores que não dominam o idioma estrangeiro. No entanto, é uma boa para quem já passou do verbo To Be na escola e já vendeu o microondas da mamãe para comprar um Kinect.
Como eu não pretendo fazer isso (minha mãe é muito brava), eu simplesmente ignoro todos os outros jogos casuais mostrados para o acessório.
Um dos games que eu estava esperando, Tomb Raider (X360, PS3 e PC) me deixou impressionado. De verdade. O jogo, que sai em 2012, está completamente diferente daqueles que eu jogava no PS1 (os posteriores deixei passar). Clima sombrio e a Lara Croft machucada. Deu vontade de entrar no streaming do GameSpot para ajudar a moça, e aproveitar para pegar o MSN dela.
O visual exibido no gameplay está excelente. O estúdio Crystal Dynamics, responsável pelo desenvolvimento está fazendo um belo trabalho, literalmente. Ainda bem que não tiveram a ideia brilhante de deixar a heroína parecida com a Angelina Jolie. A jogabilidade, apesar de ainda ser com visão em terceira pessoa, está bem diferente, com quick-time events, aquelas horas que você precisa apertar determinado botão no tempo certo.
Parece ser o primeiro da série realmente bom desde aqueles para Game Boy Color, lembra?
Na conferência ainda teve Forze Motorsport 4 e Gears of War 3, além do anúncio de dois novos jogos da franquia Halo. Um deles é o quarto episódio da série, que começará uma nova trilogia. Não falaram muito sobre, mas, por mais legal que possa ser, o outro game me chamou mais atenção.
Halo: Combat Evolved é, até hoje, o meu FPS preferido. Tem tudo nele: armas legais, inimigos aos montes e veículos maneiros. Agora ele receberá uma releitura, toda pomposa nas máquinas de hoje. Halo Anniversary comemora os dez anos da série e será lançado em novembro. Feliz por ter uma “Caixa X” (mó nome de dispositivo secreto do governo, fala aí) no quarto.
Uma outra coisa que me chamou a atenção foi a aparição de Dana White no palco. Se você ainda não conhece o careca, ele é o presidente do UFC, maior evento de MMA do mundo. Se você não sabe o que é MMA, saia deste blog agora. O cara anunciou uma parceria de sua companhia com a Microsoft, que irá transmitir competições ao vivo atravéz da Live. “And it’s all over!”.
Nós queremos estar sempre juntinhos de você!
A Sony queria mostrar seu novo portátil com nome de absorvente, o tal do PS Vita. A conferência girou em torno do console que, pelo visto, vai ser robusto. Até 3G vai ter. Só que com um adendo de 150 dólares se comparado à versão apenas com Wi-Fi, que será vendida por U$ 249,99. Nunca vi duas letras mais caras na minha vida.
Deu a impressão de que eles estão com muito medo do 3DS e da experiência da Nintendo com portáteis e trouxeram apenas nomes já consolidados para apresentar. O Indiana Jones da década de 2010 (bla bla bla) Drake, em Uncharted: Golden Abyss; o totalmente sem nexo Street Fighter vs. Tekken; e o jogo de tricô LittleBigPlanet, só para citar alguns.
Além de ter uma interface parecida com a daquele MP17 que o cara da Santa Ifigênia costuma oferecer com aquela plaquinha de papelão, o Vita é capaz de reproduzir belos gráficos, como dá para perceber no video que eu peguei do Youtube aí.
No entanto, se tivesse que usar casas de apostas para tentar capitalizar no sucesso da Sony ou da Nintendo no mundo dos “mini-games que dá pra trocar o jogo”, certamente colocaria metade do meu salário no que “reproduz 3D sem óculos”.
Ah, mas teve um jogo bem bom no meio disso tudo aí, só que foi mostrado para PS3. Bioshock Infinite é o terceiro da série e tem violência como se deve. Trocando as águas pelos ares, o game deve aparecer por aí em 2012. E falaram lá de uma versão para o Vita, mas ninguém sabe de nada, ninguém viu nada.
Eu tenho um iPad; mas eu tenho um controle da Nintendo!
A Nintendo é de mais. Sou fã mesmo. Pode me chamar de ista, pode dizer que eu gosto de jogo de menininha, não tô nem aí. Cresci jogando Nintendo e, provavelmente, vou envelhecer fazendo o mesmo. Neste ano, mais uma vez a empresa japonesa me deixou sorrindo como criança em sua conferência.
Shigeru Miyamoto entrou falando de Zelda, que é nada menos que minha série preferida nos games, que está completando 25 anos. Para comemorar a data, Link´s Awakening foi disponibilizado para Nintendo 3DS. Além disso, Four Swords poderá ser pego gratuitamente em setembro. Skyward Sword terá uma versão do Wiimote especial, dourada, que será lançada junto com o game, no fim do ano. É coisa pra nenhum fã de Zelda reclamar. E como se não fosse o bastante, o criador da franquia anunciou uma turnê mundial da orquestra que toca os temas dos games. Dizem por aí que até o Brasil pode entrar na lista de destinos.
Depois da overdose hyruliana, foi a vez de o 3DS roubar a cena. Satoru Iwata, o chefão da bagaça, mostrou novos jogos dos principais nomes da empresa. Super Mario 3DS é uma espécie de mistura entre Super Mario 64, Super Mario Bros. 3 e Super Mario Galaxy. Tem tudo que um Mario tem que ter e ninguém duvida que será sucesso. Tem a roupa de esquilo voador mano…
Pra quem gosta de fazer um Barrel Roll, teve nova versão de Star Fox, a de nome original 3DS, que busca resgatar um pouco do “feeling” dos games mais antigos.
Mas a Nintendo deixou o melhor para o final. O Projeto Café revelou sua verdadeira face. O novo console da Nintendo tem foco no… vamos ver se você advinha, no… controle! Chamado de Wii U (ui iu, na pronúncia livre), o videogame iniciará a nova geração, e quer dar mais interatividade que o Wii, the first of his name.
O controle parece um tablet com botões. Manja esse trailer aí de cima. Viu só? Dá até para desenhar no barato. Ao contrário do que possa parecer, não é um portátil com telão de cinema. Ele apenas funcionará com o console ligado. É possível ainda substituir a TV pra sua mãe assistir a novela ou sua irmã ver iCarly.
O novo controle vai melhorar ainda mais a interatividade. Saca o joguinho de golfe que aparece no trailer. Saca o simulador de Jiraya. O grande problema é que o Wii U apenas suportará um desses novos controles por vez. Ao que parece, o Wiimote e todos os outros acessórios do antecessor serão compatíveis.
A Nintendo também começou a dar mais atenção ao potencial gráfico, com a missão de agradar a gregos, chamados de casuais, e troianos, chamados de hardcore. O console suportará 1080p com HDMI, assim como fazem o PS3 e o X360.
Os próximos jogos multiplataforma também desembarcarão no Wii U. Foram mostrados Dirt 3, Batman: Arkham City, Ninja Gaiden 3 e Darksiders 2 bonitos como devem ser. Ouvi boatos de que o chip gráfico é superior ao dos atuais consoles.
Aquele outro jogo que eu estava esperando, Ghost Recon Online, também aparecerá no videogame. A Nintendo prometeu uma rede online realmente boa dessa vez. Espero que seja verdade.
Ou corre ou cai pra dentro
Se existe um game de guerra que mereça atenção daqui pra frente, este é Battlefield 3. Neste ano, o jogo de tiro em primeira pessoa da EA simplesmente deixou o concorrente Modern Warfare 3 no chinelo. E o trunfo está nos gráficos. Você nunca viu missões em tanques tão bonitas. Você nunca viu um campo tão bonito. Se é que a guerra pode ser bonita de alguma forma.
